E um pingo de chuva deixa de existir
A dança da flor que deixara o galho
Se faz no ritmo do vento que insiste as árvores despir
A preocupação sempre cega as cores
Daquilo que nos é cotidiano
Toda cinza vem daquilo que jaz outrora
E é de tom e sabor idêntico ao dia vil sorvido em engano
Vejo a lua e não me importo
Até que alguém diga que ela ainda perdura
Já me é incrível qualquer que seja o olhar
Aos lados, acima, à mim ou à vida nua
Embora o descaso nos fomente robustez
O esquivar dos olhos da verdade e lucidez
Denegrir-se-iam uns aos outros, aos poucos, loucos
Caso fosse o coração em trepido pulsar
Acuado em pobre ser que não ousa em abrigar
Um sorriso bobo, um chilique, um afago
Esperança e sorte, em vasta gota de orvalho
Cujo fulgurante apreço nunca há de exilar
A singela inspiração do viver para amar!
Tiago Henrique Mendes
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