16 de dez. de 2009

CTRL + Z...


Já reparou quão frequentemente utilizamos um estilo idiomático - ou pelo menos gostaríamos que tal fosse real - com respaldo nos códigos da linguagem concernente à informática?
Deletar algo que não esteja em meio virtual tecnológico se mostra como a mais trivial das falas em atual conjuntura, ainda mais quando se remete em procurar esquecer algum fato, situação, indivíduo, etc... ou seja, para deletar alguma coisa da nossa memória, pressione "DELETE".

Não obstante, alguns outros processos linguísticos se fazem mui comuns em meio àqueles que encontram-se imersos nesse ambiente virtual da era tecnológica, em especial os jovens. Destaco, por exemplo, "CTRL + C" (copiar) e "CTRL + V" (colar), famosos comandos que sempre são almejados perante o dia-a-dia quando nos são exigidas algumas tarefas braçais que seriam facilmente executadas com um breve repetir daquilo que já fora feito uma vez - no meu caso, como professor, preencher diários de classe :(

Contudo, o cerne de uma discussão assim não poderia apenas apresentar argumentos de quão fácil/rápido/eficaz seria nossa vida se tais "comandos" fossem reais, mas sim identificar o porquê da necessidade dos mesmos.

Logo, "CTRL + Z" (desfazer) é o "comando" que endossa a presente discussão, uma vez que praticamente todos nós gostaríamos de voltar atrás em algum aspecto de nossa vida e fazer/falar/pensar algo diferente, portanto, desfazer aquilo que outrora se fez de maneira errônea, seja por causa de um momento de ira, mágoa, dor, [...], mas que não o justifica como CERTO.

Há um provérbio chinês bastante pertinente ao assunto que traz a seguinte mensagem: "Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada, e a oportunidade perdida".
Realço o fato das duas primeiras situações que nunca voltam atrás sobrepujando o valor do pedido de desculpa como algo que não deveria ser tão corriqueiro/frequente/banal, pois a dor de um tapa nunca desaparecerá ou mesmo o sentimento de ofensa/mágoa/dor não será aniquilado com a apresentação do pedido de desculpa.

Em sua carta aos moradores de Éfeso, Paulo traz a seguinte menção: "[...] andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor" (Efésios 4:1-2).

A vocação que Paulo aqui nos indica é o ideal cristão, valendo-se da humildade, mansidão, longanimidade e suporte aos outros em amor.

Cabe, pois, o seguinte contraponto: ou a vocação para qual fomos chamados é falha e sugere a necessidade de algumas astúcias como o "CTRL + Z" para sua concretude ou então essa vocação cristã é justa e reta, sugerindo então que o que é falho SOMOS NÓS em buscar tais astúcias para justificar nossos erros. O que você acha?
Certa feita tomei nota de uma frase que assim dizia: "O cristão faz o que é certo por ser cristão, nunca a fim de sê-lo".

Que Deus ilumine, guie e, acima de tudo, TRANSFORME o nosso caminhar a cada dia, provendo-nos sabedoria, humildade, mansidão, longanimidade e muito amor para com o próximo, revelando em nós a vocação de ser um imitador de Cristo, não havendo nem sequer em pensamento a necessidade de um "CTRL + Z".
Amém...

Tiago Henrique Mendes

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